Cel. Fabriciano, 14 de julho de 2024

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QUATRO ANOS DE MISSÃO E MUITO SOL NO VALE DO AÇO!

QUATRO ANOS DE MISSÃO E MUITO SOL NO VALE DO AÇO!

“Em todas as coisas dai graças ao Senhor” (1Ts 5,18)

PADRE EVALDO CÉSAR DE SOUZA, CSSR

Eu deveria ter entendido que aquele sol escaldante que me recepcionou no dia 03 de fevereiro de 2019 seria o meu companheiro diário e a razão da minha única chateação com a missão no Vale do Aço: eu transpiro sem cessar, com algumas exceções nos meses um pouco mais frios do ano. Agora mesmo escrevo aqui do meu quarto, defronte a Matriz de São Sebastião, sob o clima agradável do imprescindível ar-condicionado.

Ah, a matriz de São Sebastião! “Da janela lateral do quarto de dormir, vejo uma igreja, um sinal de glória”. Nunca estes versos foram tão cotidianamente presentes na minha vida. A igreja mãe do Vale do Aço, construída pelos redentoristas na década de 1948 e hoje um dos patrimônios arquitetônicos e religiosos da região me recepcionou, e apesar da mudança repentina das atividades, o estranhamento inicial durou muito pouco e logo eu já me sentia um verdadeiro vigário paroquial. Tudo era novo, e eu estava disposto a embrenhar-me nesse desafio pastoral.

A comunidade religiosa formada em 2019 era toda renovada, exceto pelo irmão Afonso, que já residia aqui, mas que em 2022 nos deixou para ir morar na casa do Pai do Céu! Em 2019 residiu conosco o frater Robson Araújo, no seu ano pastoral e em 2022 tivemos a maravilhosa e grata presença do frater Jonathan Antônio. Esteve aqui e fez a diferença! No mais seguimos aqui com Padre Zambom, nosso pároco, Padre Wilker, nosso reitor (superior da casa) e padres André Luiz (chegou em 2020), Araújo e eu como vigários paroquiais.

A vida aqui na comunidade de Coronel Fabriciano é muito simples, paróquia nos garante o sustento, mas sem regalias ou exageros. A pandemia trouxe muitos desafios, inclusive financeiros. Mas devagar a vida foi tomando rumo. Em 2021, seguindo cronograma definido pelo nosso Bispo, Dom Marco Aurélio Gubiotti, e os superiores da província do Rio, finalizou-se oprocesso de desmembramento da paróquia, que antes atendia dezessete comunidades e atualmente, acolhe o trabalho pastoral da matrize de mais oito comunidades urbanas. Além disso nós redentoristas prestamos atendimento pastoral ao Carmelo Santíssima Trindade, herança nos deixada por Dom Lelis Lara, e também rezamos a santa missa no Hospital Metropolitano (UNIMED). Um pequena e triste nota incluo nesse trecho: temos em Coronel Fabriciano a Co-Catedral da diocese, cujas atividades pastorais estão sob nosso cuidado. Infelizmente, no dia 12 de maio de 2022, durante a noite e estando a igreja vazia, parte do teto ruiu e com isso a catedral segue fechada há meses, sem previsão de abertura. Os trabalhos de reforma seguem a passos lentos, dada a complexidade do estrago. Mas isso não é assunto para este texto!

Aqui chegando, recebi como incumbência pastoral cuidar de toda a parte da liturgia, o que envolve vários grupos distintos. Tenho me esforçado para dar uma dinâmica pastoral que seja animada, cheia de vida e desafios. Sofremos um pouco com a ausência de lideranças, sentimos falta de uma pastoral mais juvenil, mas creio que esses são pontos frágeis de muitas paróquias. Meu espírito é “incomodado”, e então acabo inventando coisas e ações para dar mais dinamicidade ao nosso trabalho. Graças a Deus o pároco é muito tranquilo  e incentiva nossos trabalhos.

Outro campo de apostolado que encontrei foi a capelania do UNILESTE, universidade católica do Vale do Aço. Em meados de junho de 2019, recebi o convite para assumir este encargo e tem sido proveitoso poder rezar no ambiente da universidade. Lá atendo alunos e professores semanalmente, além de presidir a santa missa. Outra grata surpresa foi a Rádio Educadora. Quando cheguei procurei envolver-me totalmente com a paróquia, pois para isso tinha sido designado. Assumi apenas um pequeno programa diário na rádio. Meu amor pela comunicação estava preenchido! Mas a pandemia, e o corte de pessoal, trouxe-me a tarefa de coordenar a rádio. Desde meados de 2020 concilio a vida de vigário com a gestão da rádio. Surpresas boas: arádio me ajuda a colocar em prática a experiência adquirida em Aparecida e os frutos aparecem, tanto na parte de programação quanto nas questões financeiras. Recolocamos a Rádio Educadora no circuito de comunicação do Vale do Aço!

Finalmente, e não menos importante, sigo com o acompanhamento espiritual das Equipes de Nossa Senhora do Vale do Aço. Com isso mantenho minha ligação com esse movimento desde meu tempo de diácono, quando comecei a acompanhar uma equipe em Aparecida. As equipes arejam a minha vocação sacerdotal!

Enfim, a vida nas terras mineiras é muito boa, e mesmo o calor quase insuportável do Vale do Aço não nos tira o ânimo. As famílias são muitos acolhedoras, resenhas e festas são constantes. Fiz também amizades com grupos da treinos de academia e corridas, afinal cuidar da saúde nunca é demais! As exigências missionárias, o carisma redentorista e o zelo pelas coisas da Igreja e da Congregação me inspiram e me ajudam a seguir animado com a vocação recebida. Creio que não são os lugares que nos fazem, mas somos nós que moldamos o que somos no lugar onde estamos. Hoje já sou cidadão honorário de Coronel Fabriciano (ganhei até uma placa!), sinto-me como se morasse aqui há décadas e percebo que expressar o amor a Jesus pelo carisma Alfonsiano depende sim do amor que temos a congregação, e não do trabalho que fazemos! Sigamos unidos em Cristo, com Maria!

Padre Evaldo César de Souza, CSSR

23/12/2021