Cel. Fabriciano, 27 de janeiro de 2021

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12 jan
Imagem: bbc.com

Vacinar-se: uma escolha moral

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Nos últimos dias, foram veiculadas informações sobre a eficácia da vacina, mas de difícil assimilação pelos que não são peritos no assunto. Existem também grupos pequenos, mas muito barulhentos, que sustentam, sem dados científicos comprovados, que a vacina não é outra coisa senão um complô orquestrado pela indústria farmacêutica e pelos governos mundiais para controlar as massas.

Sem querer entrar nesta polêmica estéril, acredito ser necessário colocar duas simples considerações. Em primeiro lugar, o mundo está enfrentando uma epidemia de morte e estreitamento de estilos de vida e, em segundo, observar o que a história nos ensina que somente através da medicina e das vacinas as doenças têm sido derrotadas. Por que, então, esta aversão às vacinas em geral e a da Covid-19 em particular? Qual comportamento moral responsável deve ser assumido?

Vejamos alguns comportamentos religiosos que contribuem para confundir as ideias sobre um tema assim tão delicado. Os Amish (2) recusam a modernidade repudiando a utilização de fármacos e das próprias vacinas. Os seguidores da igreja científica, Christian Science, criada nos Estados Unidos em 1892, defendem que todas as doenças devem ser curadas apenas com orações. Posições contrastantes se encontram também nas igrejas protestantes.

Outras negações religiosas contra a vacina são relativas às substâncias nelas contidas, como a utilização de animais impuros (para o judaísmo e o islamismo) ou pela presença de células de cultura que originalmente foram retirados de fetos abortados voluntariamente. Sobre esta temática remeto ao post “La questione dei vaccini” e à nota da Congregação para a Doutrina da Fé: “Nota sulla moralità dell’uso di alcuni vaccini anti Covid-19”.

Para nós que cremos, vacinar-se é uma escolha clara pelo bem comum, uma escolha moral ditada pela responsabilidade que temos frente às outras pessoas. Para um crente, vacinar-se é um dever humano, em nome da solidariedade social e cristã, em nome da caridade para consigo mesmo e o próximo. Em um contexto cultural onde a motivação para a interdependência é forte, diante de escolhas assim importantes, o individualismo e os estilos de vida autorreferenciais não devem prevalecer.

Diante de uma crise sanitária não podemos antepor o bem pessoal ao bem comum. Como crentes somos chamados à vacina para exercitar livremente a nossa responsabilidade moral em relação às outras pessoas.

Sobre este tema é totalmente compartilhável a nota da Comissão Vaticana Covid-19 em colaboração com a Pontifícia Academia pela Vida: “Vacina para todos. 20 pontos por um mundo mais justo e saudável”. No ponto n. 13 se afirma: “Sobre a responsabilidade moral de submeter-se à vacinação (também em base no que foi dito no n. 3) é preciso

reiterar que esta temática implica também uma relação entre saúde particular e saúde pública, mostrando a estreita interdependência entre ambas. À luz desse nexo, consideramos importante que se leve em conta que a recusa da vacina pode se constituir também em um risco para os outros”.

O bem comum é uma escolha moral responsável feita de relações enquanto forma especial de bem relacional. Sendo o bem constituído pelas relações entre as pessoas, eis porque se vacinar se torna escolha moral autenticamente responsável. Diante do Bem comum devemos deixar de lado a lógica do “eu” para deixar vencer aquela do ”nós” como escolha que nos envia ao único e sumo Bem.

(Tradução do texto do italiano pelo padre Moésio Pereira de Sousa, CSSR)

Fonte: Prof. Dr. Pe. Alfonso V. Amarante, diretor geral da Academia Alfonsiana de Roma