Cel. Fabriciano, 20 de outubro de 2020

OUÇA AGORA A RÁDIO EDUCADORA

RÁDIO EDUCADORA

07 jan
Imagem:

Sacramento da Confissão ou Penitência

Compartilhar

Olá! Tudo bem? Que bom que você veio buscar o perdão de Deus. Infelizmente a gente comete muitas faltas durante a vida, machuca o coração de nossos irmãos e irmãs, se afasta de Deus e até mesmo acaba cometendo faltas que nos machucam a nós mesmos. Mas Deus é misericórdia infinita e sempre nos perdoa. Seu Filho Único, Jesus Cristo, quando esteve entre nós, caminhando pela Terra Santa, ensinou-nos que o dom do perdão é um dos mais sublimes que podemos conceber. Deus nos perdoa e nos pede que perdoemos nossos semelhantes. Mas muitas perguntas aparecem quando eu resolvo me confessar, muitas dúvidas que incomodam nossa consciência. Então que tal sanar essas dúvidas?

Por que eu devo me confessar?

Você se deve confessar pois assim ensinou Jesus Cristo. Todos nós somos marcados pelo pecado, e esse mal vai aos poucos nos consumindo. Assim, buscar o perdão de Deus é como recomeçar a vida do zero, voltar ao início e querer fazer as coisas certas. Quem sabe reconhecer suas fraquezas e com humildade pede perdão dos pecados está no caminho certo para construir uma vida mais santa.

Mas preciso confessar com o padre? Não posso me confessar direto com Deus?

Jesus Cristo sabia que todos os pecados que cometemos sempre atingem a vida dos nossos irmãos, ou a nossa própria vida. Ele deixou para a Igreja a tarefa de acolher o pecador e perdoar os pecados em nome da autoridade divina. Quem perdoa é sempre Deus! O padre é a pessoa autorizada pela Igreja para ser o intercâmbio da Graça de Deus. Ele acolhe o pecador arrependido, ouve seus pecados, pode até dar algum conselho e em nome do Espírito Santo, perdoa o pecador. Buscar o padre é reconciliar-se com a comunidade humana da qual faço parte e que foi ofendida com meu pecado. E preciso ter muita humildade para dizer a um semelhante (o padre) que eu tenho pecados. É um gesto muito bonito que a Igreja recolhe da Tradição e mantém vivo. E muito cômodo e fácil eu ofender irmãos e irmãs de carne e osso, e depois, querer pedir perdão direto a Deus, sem encarar de modo concreto o meu pecado diante da comunidade representada pelo padre.

Quantas vezes preciso confessar? Toda semana? Todo mês?

A Igreja pede ao fiel católico que busque o Sacramento da Reconciliação e Penitência pelo menos uma vez ao ano, por ocasião da Páscoa do Senhor (durante a Quaresma e Semana Santa). Há quem goste de fazer confissões todo mês ou quando sentem que algum pecado grave está incomodando a consciência. É preciso cuidado para não fazer desse sacramento algo banalizado, e passar a considerar a confissão um rito “mágico” que eu procuro toda hora, sem ter consciência de que realmente eu queira modificar minhas atitudes. O arrependimento sincero e a conversão são parte integrantes e necessárias para que a graça sacramental aconteça.

O que é a penitência que o padre me dá no final da confissão?

Uma penitência é uma forma de atualizar na prática o perdão recebido. E um ato de agradecimento, mas do que uma penalidade. Geralmente a penitência quer oferecer ao fiel um momento de pensar sobre sua vida, de cuidar melhor dos irmãos e de tomar consciência de suas fraquezas. A penitência não é um castigo e nem um pagamento que devo dar a Deus, é antes um gesto de amor pelo perdão que eu recebi.

O que o ato de contrição?

O ato de contrição é a oração que o fiel recita ao final da confissão. Existem muitas fórmulas que aprendemos na catequese. Uma fórmula simples pode ser esta:

“Meu Deus e Senhor, eu me arrependo de todo meu coração de Vos ter ofendido, porque sois Bom e Amável. Prometo com a vossa graça que vou me esforçar para não mais pecar. Meu Jesus tende Misericórdia!”.

Quais são os passos de uma boa confissão?

– Fazer um exame de consciência;

– Arrepender-se dos pecados cometidos;

– Fazer propósito de não mais pecar;

– Confessar seus pecados ao padre;

– Fazer a penitência proposta

– Louvar a Deus pelo perdão recebido

 

Exame da vida – Exame da Consciência

Antes de se confessar, que tal fazer um breve exame de consciência? Talvez você já tenha feito isso em casa, mas é sempre bom parar e pensar sobre os erros e pecados que queremos confessar.

Comece com os dez mandamentos…

Como você tem vivido essas orientações Divinas?

  1. Amar a Deus sobre todas as coisas;
  2. Não tomar seu santo nome em vão;
  3. Guardar domingos e dias santos;
  4. Honrar pai e mãe;
  5. Não matar;
  6. Não pecar contra a castidade;
  7. Não furtar;
  8. Não levantar falso testemunho;
  9. Não desejar a mulher (o homem) do (a) próximo (a);
  10. Não cobiçar as coisas alheias.

Lembrem-se sempre da Palavra de Jesus: “O maior mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas e o segundo é amar o próximo como a si mesmo”. Veja que todo pecado é sempre uma agressão a Deus e aos nossos irmãos.

Que tal pensar sobre os vícios capitais?

Veja se você não tem sido cooptado por alguns desses péssimos vícios humanos!

  1. Soberba
  2. Avareza
  3. Luxúria
  4. Ira
  5. Gula
  6. Inveja
  7. Preguiça

O papa Bento incluiu na lista de pecados graves os seguintes:

  1. Manipulação genética da vida humana para fins escusos;
  2. Uso de drogas e entorpecentes
  3. Cultivo da desigualdade social
  4. O descuido com o meio ambiente.

Disse Jesus à pecadora: “Alguém te condenou? Eu também não te condeno, mas vá e de agora em diante não peques mais” (Jo 8,11)

Para facilitar seu exame de consciência quero propor um itinerário. Pense e reflita sobre o seguinte:

Como está minha relação com Deus?

– Tenho rezado diariamente, reservado tempo para dialogar com Deus?

– Tenho lido e meditado a Palavra de Deus diariamente?

– Tenho participado de minha comunidade, ido às santas missas, ajudado em alguma pastoral?

– Tenho buscado os sacramentos, como a comunhão e a confissão, de acordo com os ensinamentos da Igreja?

– Tenho frequentado lugares contrários à fé católica? (outras religiões, espiritismo, seitas, etc.).

Como está minha relação comigo mesmo?

– Minha vida é guiada pelo amor ou pelos rancores e ódios?

– Tenho usado meus talentos para que o mundo seja melhor?

– Meus divertimentos são saudáveis?

– Tenho respeitado meu corpo como Templo do Espírito Santo?

– Cuido da minha alimentação, do meu bem-estar, do meu sono e da minha saúde de maneira apropriada?

– Tenho buscado ajuda para superar meus traumas e dependências familiares e sociais?

– Tenho passado muito tempo em frente ao computador e redes sociais em busca de satisfação da minha solidão e carências?

– Tenho colocado dentro do meu corpo substâncias nocivas à minha saúde?

– Tenho sido fiel nos meus relacionamentos (amizades, namoro, casamento, consagração)?

– Já cometi alguma agressão contra mim mesmo (ideia de suicídio) ou contra a vida de inocentes (aborto, eutanásia)?

Como está a minha relação com meus irmãos e minha comunidade?

– Tenho participado da Igreja e das atividades que ela me proporciona?

– Tenho ajudado minha comunidade com meus talentos?

– Tenho ajudado minha comunidade com o santo dízimo?

– Tenho sido agradável e paciente na minha convivência familiar?

– Como anda meu relacionamento com meus pais? E meus amigos? E minha esposa (meu marido)?

– No trabalho tenho sido honesto e trabalhador, ou preguiçoso e desleixado?

– Tenho atrapalhado a vida de algum companheiro no trabalho? Tenho sido bom patrão? Tenho sido um empregado competente?

– Como anda a minha vida de caridade com meus irmãos e irmãs mais empobrecidos e necessitados?

– Sou preconceituoso? Espalho maledicências? Fofocas?

Finalmente, como anda seu relacionamento com a Criação de Deus?

– Agradeço a Deus pelas coisas todas que ele criou para facilitar a minha vida?

– Sou responsável no cuidado com a natureza?

– Sou pessoa que desperdiça água e alimentos?

– Tenho sido capaz de zelar pela natureza, não destruindo o meio-ambiente ao meu redor?

– Jogo lixo nas ruas, nos rios e em terrenos baldios? Mantenho limpo o quintal de minha casa?

 

Agradecendo a Deus – reze o Salmo 32!

 

Feliz aquele cuja ofensa é absolvida, cujo pecado é coberto;

Feliz o homem a quem o Senhor não olha mais como sendo culpado.

Enquanto eu me calei, meus ossos se consumiam, o dia todo rugindo,

Porque dia e noite a tua mão pesava sobre mim.

O meu coração se tornou como um feixe de palha em pleno calor do verão.

Confessei, então, a Ti o meu pecado, não te encobri o meu delito.

Eu disse: “Vou ao Senhor confessar a minha culpa”.

E tu absolveste o meu delito, perdoaste o meu pecado…

Tu és o meu refúgio, tu me libertas da angústia, e me envolves com cantos de libertação.

Não seja, ó pecador, como o cavalo ou o jumento,

Que não compreendem nem rédea nem freio!

Os injustos sofrem muitos tormentos, mas o amor envolve quem confia no Senhor!

Alegre-se no Senhor, ó justos, e exultem,

Gritem de alegria, todos os de coração reto.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo

Como era no princípio, agora e sempre, amém!

 

 

Fonte: Padre Evaldo César de Souza, CSSR