Cel. Fabriciano, 28 de maio de 2024

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16 abr
Imagem: Internet

O simbolismo e a beleza do Círio Pascal

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Cristo Ressuscitado, Luz que dissipa as trevas do nosso coração e da nossa mente!

Ao clarão da lua cheia, fora da igreja, iniciamos a Vigília Pascal. Presenciamos o acendimento de uma vultosa fogueira, a benção do fogo, a preparação do Círio Pascal e o acendimento do Círio com o fogo novo. Seguimos o Círio Pascal aceso, acompanhado de incenso, em procissão para dentro da igreja. Aos poucos, acendemos nossas velas no Círio. Por que fazemos isso?

O Círio Pascal é, desde os primeiros séculos, um dos símbolos mais expressivos da Vigília. No meio da escuridão, de uma fogueira previamente preparada, acende-se o Círio (a palavra círio vem do latim, cereus, de cera, produto das abelhas). O Círio é símbolo de Cristo-Luz, do Cristo Ressuscitado que vence as trevas com a sua luz: “A luz de Cristo que resplandecente ressuscita, dissipe as trevas do nosso coração e da nossa mente” (Missal Romano. Frase de acendimento do Círio Pascal). É símbolo de Cristo Ressuscitado que vence toda escravidão.

O Círio Pascal é chama que ilumina e arde sem cessar como a sarça ardente. É coluna de fogo a nos guiar como na caminhada do povo no deserto. Seguindo o Círio Pascal seguimos Cristo ressuscitado, nosso Senhor e luz do mundo, através do deserto da vida presente em direção à pátria celeste: “quem me segue não andará nas trevas”.

Ao acendermos nossas velas à luz do Círio Pascal, expressamos nossa participação na vida do Ressuscitado, na vitória sobre as trevas, sobre a morte. Recordamos que somos luz do mundo, num clima de alegria, de espera pela vitória do ressuscitado. Saímos pelas ruas cantando a nossa ressurreição e nossa vitória no Ressuscitado com nossas velas acesas no Círio.

Quando iniciamos a Vigília Pascal, não pomos em evidencia a benção do fogo, mas a Luz que surge das trevas e as combate. Saímos da noite, da escuridão, e alcançamos a aurora, o novo dia. Assim, viver na Luz é viver longe do pecado e do mal.

No Círio Pascal, encontramos não só o simbolismo da luz. Encontramos, também, o simbolismo de oferenda, como cera que se gasta em honra de Deus, espalhando a sua luz. Vamos percebendo que o sentido da nossa vida está em oferecê-la a Deus e a humanidade em verdade e amor como o Círio se transforma em luz e calor.

Em meio ao clarão da lua cheia e da fogueira, o Círio Pascal é o sinal principal. A dignidade e o significado do Círio são sublinhados com alguns símbolos: grava-se no Círio a Cruz, o ano da celebração pascal e a primeira e a ultima letra do alfabeto: A e Z. Cravam-se cinco grãos de incenso que simbolizam as chagas gloriosas de Cristo. O Círio, conforme orienta a Congregação para o Culto Divino, deve ser “pela verdade do sinal, deve ser de cera, novo cada ano, único, relativamente grande, nunca artificial, para poder recordar que Cristo é a luz do mundo”. Estar frente ao Círio Pascal é estar frente a Cristo!

Porém, não é o que percebemos em muitas comunidades. Há Círios reutilizados do ano anterior. Círios pequenos que parecem uma vela qualquer do que “coluna de fogo”. Círios com plásticos colados sem formosura e beleza. Como cantar no Exulte: “A cera virgem da abelha generosa ao Cristo ressurgido trouxe a luz” se reutilizamos o círio velho trocando apenas a inscrição do ano anterior pelo ano presente? Como cantar “Ó noite em que a coluna luminosa as trevas do pecado dissipou…”, se compramos “cirinhos” nanicos, com plásticos colados, sem arte e beleza?

Os símbolos estão no coração da liturgia e sem eles não nos é possível celebrar. Como desvalorizar o Círio Pascal, símbolo tão importante de nossa liturgia, símbolo que representa, aos olhos de nossa fé, o Cristo Ressuscitado? Na Vigília Pascal deste ano, deixemos aparecer a realidade significada no sinal sensível do Círio Pascal aceso: o Cristo Ressuscitado, Luz que vence as trevas da morte e clareia também as trevas de nossas vidas. A luz que se acende fora de nós, clareie as trevas de nossa mente, nosso coração, nosso corpo interior e nossa vida. Gere vida, fé, alegria e esperança. Que o Círio Pascal continue aceso em todas as celebrações do tempo pascal até pentecostes. E como o Domingo é nossa Páscoa semanal, acendamos, também, o Círio a cada celebração dominical (menos no advento e na quaresma).

Fonte: Padre Luciano dos Santos, diocese de Joinville/SC

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