Cel. Fabriciano, 28 de maio de 2024

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22 jul
Imagem: Internet

Maria de Magdala: mulher e discípula

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A liturgia celebra a memória de Maria Madalena. Em primeiro lugar Madalena não é um sobrenome, mas o local de sua origem. O nome da vila onde Maria nasceu recebia o nome de Magdala, que na tradução acabou se tornando Madalena. Mulher forte e decidida, Maria não hesitou em seguir Jesus Cristo e tornou-se exemplo de discípula.

A leitura do Cântico dos Cânticos (Ct 3,1-4), proposta para a liturgia do dia de hoje, mostra a amada que busca o amado. Movimento comum de quem ama é ir ao encontro da pessoa amada. Figura do amor entre a Igreja e o Cristo, esse trecho bíblico é também imagem da relação entre Jesus e Maria Madalena. Maria foi ao encontro de Jesus desde o momento em que reconheceu nele uma pessoa especial – desde o momento em que Jesus a perdoou Maria Madalena fez-se discípula fiel e convicta de sua conversão.

No seu coração de mulher existia um vazio existencial, preenchido, segundo a tradição, com uma vida desregrada e de pecado. Esse vazio era um clamor existencial, parte de todo homem e de toda mulher que deseja encontrar um sentido para sua vida. E o sentido verdadeiro é sempre Jesus, Caminho, Verdade e Vida. Antes de encontrar-se com Jesus Cristo, a mulher de Magdala tentava preencher-se a partir de uma vida mundana. Após sua conversão, somente o amor de Jesus tornou-se fonte de inspiração para Maria Madalena.

O pranto de Maria Madalena, naquela manhã de domingo diante do túmulo violado, (Jo 20, 11-28) revela que seu relacionamento com Jesus era consistente. A morte do Mestre significou para ela a perda de uma pessoa querida. Ele soube valorizá-la, ajudando-a a recompor sua existência esfacelada por experiências negativas. Isto bastou para ela nutrir por Jesus um amor cheio de gratidão. Uma sensação de vazio tomou conta do coração de Maria Madalena, quando veio a faltar-lhe este apoio humano. Diante do amigo morto, só lhe restava debulhar-se em lágrimas. Maria Madalena, contente com o que Jesus representava para ela, só deu um passo adiante na sua compreensão, quando defrontou-se com o Ressuscitado. O reconhecimento do Mestre, quando Ele a chama pelo nome, devolve a Madalena a fortaleza e a esperança. O Mestre (Raboni) está vivo. A humanidade do amigo querido era apenas um aspecto de sua verdade. Ele era também o Filho enviado pelo Pai, cuja missão, na Terra, havia sido concluída.

Agora, estava de volta para junto de quem o enviara. Ele era o Senhor. Discípulo algum tinha o poder de retê-lo para si, ou de apossar-se dele. O Mestre estaria junto dos seus discípulos, mas sem a limitação de tempo e espaço. Por conseguinte, Maria Madalena não tinha por que chorar. Ela teria para sempre consigo o Senhor ressuscitado. A ressurreição devolveu-lhe, novamente, a alegria. O Ressuscitado preencheu o vazio que a morte tinha deixado no coração dessa mulher. E o sentimento de perda foi superado por uma forma nova de presença do Mestre, mais interior e consistente.

Fonte: Padre Evaldo César de Souza, C.SS.R

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