Cel. Fabriciano, 25 de maio de 2024

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11 jun
Imagem: internet

Dia dos namorados: e Deus fez o homem e a mulher

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O dia dos namorados pinta a tela de nossos computadores e celulares com uma infinidade de corações e frase adocicadas. Afinal o amor está no ar! Mas que tal revisitar a teologia da Criação, mergulhar no momento sublime em que Deus molda o homem e a mulher, e os consagra como a mais bela composição de toda a Criação?

O mito da criação foi uma forma simbólica para expressar aquilo que o povo já estava experimentando – de que tudo foi criado por Deus. A nossa fé se fundamenta no Deus da história e não em perguntas científicas.  Há muitos relatos sobre a origem do mundo, mas focalizaremos o relato da origem no gênesis.

O relato da criação na Bíblia não tem nenhum dualismo: Deus é criador de toda a criação e suas realidades em toda a sua complexidade.  Não temos princípio do bem ou do mal. Deus é princípio de todo o bem.

O ensino bíblico está fundamentado em três princípios:

1) Todo o universo tem uma única origem que se manifesta na transcendência de Deus. Deus não tem nada haver com o mal. Ele é absolutamente transcendente.  O homem com sua liberdade pecou, e foi o princípio de todas as mazelas. O mundo pode voltar a ser bom.

2) O homem não foi criado para simplesmente usufruir da Criação, mas para ser co-criador, ajudar a governar e coordenar as coisas criadas, cultivar o jardim. Ele deve crescer (amadurecer seus princípios e valores) e depois multiplicar-se, passando adiante os conhecimentos adquiridos para as novas gerações.

3) A proeminência do homem não é dele mesmo. É Deus quem consagra a humanidade para cuidar da Criação, dá responsabilidade aos homens.

Deus é poderoso, também, para criar o mundo que está, entretanto, em constante evoluciona, que tem suas próprias leis das quais nenhum ser vivo consegue escapar.  Para cultivar o jardim não basta a boa vontade e o amor, mas, conhecer, respeitar, expandir a evolução da criação – continuar o cultivo. A criação é chamada a uma auto-transcendência a cada dia. Somos chamados a conhecer e intervir na criação, começando pelo homem e a mulher. É preciso afinar a antropologia bíblica com a antropologia do homem.

Três são características básicas do homem/mulher na Criação Divina:

1) O homem/mulher carrega em si a capacidade de ser bom. A bondade é uma característica fundamental da pessoa humana, mas, é relativa, pois o Homem/ Mulher também podem ser causa do mal. A única criatura que tem o poder de fazer o mal livremente é o homem porque tem vontade livre (livre-arbítrio).  O maior ato da liberdade de Deus é o amor e respeito à liberdade da pessoa humana, sua criatura. A Criação toda é boa, mas a manifestação, a concretude dessa bondade pode ser vista de diferentes formas.

2) O homem/mulher é livre. Somos criados para criar. Os elementos criados são chamados a fazer a vontade de Deus. Mas o homem/mulher é livre. O maior ato de amor de Deus pela humanidade é a liberdade – o maior dos dons. “De que vale amar se a gente é escravo do amor?”  A maior das intervenções de Deus é o respeito por quem Ele criou.

3) O homem/mulher é sacramento de vida – a pessoa é sacramental, é uma manifestação visível, sensível, experimental de alguma coisa maior. É a visibilidade do sacramento, a visibilidade do mistério. Se Deus pode salvar o homem é porque há uma profunda relação entre o homem e Deus, entre o Criador e a criatura. A criatura depende do Criador, mas, não uma dependência infantil, mas filial.

O homem é bom, o homem é livre, o homem é sacramento. A diferença do homem das  outras criatura é que ele pensa e sabe que pensa.  O homem é o centro da criação – o mundo foi criado para ele e ele tem a responsabilidade de humanizar a terra, dominar o mundo. Domínio significa humanizar  de  tudo para que tudo esteja a serviço de todas as coisas.  “O mundo não é bom se não é bom para todos.”

Assim, o casal humano sempre será amado por Deus e a relação entre um homem e uma mulher será sempre dom de Deus para a vida do mundo. Que os jovens namorados aprendam a ver o amor que os une como reflexo de Deus, que desde sempre quis que sua Criação seguisse adiante pela força da fecundidade humana.

Fonte: pe. Evaldo César de Souza, CSSR

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